O Cachorro do Sol


No Caminho das mudanças, a Presença Divina foi-me alicerçando de tal forma irresistível e maravilhosa, que os Eventos Sagrados foram ocorrendo numa seqüência que não me davam margem ao recuo ou desistência. Eu fui sendo agraciado com as mais belas e sutis revelações da Presença Divina. Não pude e nem queria retroceder, pois já estava dando passos sólidos com a compra do Sítio Espigão e início da Obra da Casa de Pedra.

No entanto, numa ocasião, fortes acontecimentos me injetaram uma dúvida, sobre a certeza das escolhas, de mudança radical que eu havia tomado. Na família, haviam algumas ponderações contrárias; a namorada da época já dizia que não iria me acompanhar morando na roça; a profissão declinava que não resistiria à mudança; enfim, foram alguns aspectos que me puseram em “xeque” e eu balancei, confesso.

Afora toda a dificuldade de se construir na Montanha, num local sem acesso de veículos, as outras “encanações gerais” bateram forte em mim, mas, sendo sexta-feira, dia de pagamento da Equipe de Pedreiros e Ajudantes, rumei para o Sítio com o cão Snoppy somente, como companheiro de sempre.

Cheguei no estacionamento na entrada da Mata, com o carro cheio de cimento e areia em sacos. Subi com alguns mantimentos e roupas na mochila e as “onças” (notas de R$ 50,00) no bolso. Em quase todo o tempo da Obra tive que manter quatro profissionais, o que encarecia bem o orçamento. Toda sexta eu fazia os pagamentos, verificava as necessidades e orientava a execução do Projeto.

Cheguei, conversei com a Turma e fui pra Barraca dar uma geral, pus ração pro Snoppy pra ele saber que iríamos dormir lá; como sempre coloquei um feijão no “fogo de chão” e fiquei arrumando e limpando o acampamento, aqui e acolá. Foice, capina, roupas no sol, ferramentas, mantimentos, tinha bastante diversão, mas naquele final de semana um “peso” me batia na cabeça e no coração – eu estava inquieto.

Lembranças de algumas discussões, conversas e situações que ocorreram durante a semana haviam me colocado num estado de dúvida, o que me deixou intranqüilo e minou minha força. Preparei o feijão, depois de uma faxina na Barraca e fui dar um mergulho no Rio (Poço Verde). Voltei e ofereci um prato aos amigos, fiz os acertos e eles se foram.

A tarde caiu e a noite veio chegando; reanimei a fogueira e toquei violão durante um tempo, mas ainda estava muito inquieto, tudo rodava na cabeça. Eu não tinha mais certeza de ter escolhido o caminho correto para minha vida. Essa dúvida me fez entrar numa forte e repentina depressão e tristeza; parei a cantoria e fiquei olhando pro Céu estrelado, quando saiu do meu coração uma Oração de Apelo ao Pai Celestial, para que me desse um sinal de que eu deveria continuar no caminho escolhido.

Ao rezar, entrei em pranto comovido e me entreguei nas mãos de Deus, pedindo-lhe: dê-me um sinal! Cansado, fui pra Barraca e peguei no sono. No dia seguinte, um sábado de Sol, acordei e fui pra Obra fazer limpezas gerais, conferir medidas, retirar entulhos e mexer o corpo. Por volta do meio-dia fui, de novo, na Barraca tomar um café e adiantar o almoço, mas antes resolvi tomar uma ducha, pelo calor e suor.

Quando olhei pra cima, foi espetacular: havia em volta do Sol, num círculo perfeito e completo, um gigantesco e brilhante Arco-Íris, bem em cima da Barraca e da Paineira. Comecei a me emocionar com aquele acontecimento e, imediatamente, algo falou em meu coração; ESSE É O SINAL! Daí eu desabei, de joelhos no chão, mãos postas, comecei a chorar de emoção extasiante, sem tirar os olhos daquele fenômeno maravilhoso.

O Sol ao centro, o Arco-Íris redondo e completo, com todas a cores definidas e brilhantes, sendo que finas nuvens brancas eram derramadas das cores, como sendo bênçãos inundando o meu ser de Paz, de Amor, de Confiança, de Fé, de Coragem, de Perseverança, de Amizade, de Bondade e muito mais. Recebi tudo aquilo e agradeci muito em Orações, e em prantos de felicidade e tranqüilidade.

O conjunto do Sol, o Arco-Íris e o Nevoeiro que era derramado formava um espécie de Cone de Luz sobre mim e o Sítio e, a partir desse dia, eu passei a enxergar uma Cúpula de Luz Cristalina ancorada e cobrindo todo o Sítio, indo de um Rio ao Outro, fechando lá pra cima na Mata. Revelada que fora, essa Cúpula de Luz permanece com múltiplas funções de Proteção, Ampliação, Refração, Propagação e Recepção de Energias e Vibrações Sutis e Sagradas.

Em menos de um dia o Sinal me fora dado, deslumbrante, intenso e inesquecível. Passado um pouco todo aquele êxtase, da interatividade e imanência, resultantes da conexão, da Força e Luz Divina, irradiada e manifestada naquele momento, lembrei-me de pegar a máquina e tirei algumas fotos (que ficaram lindas e estão aí, como prova do fato).

Premonição, coincidência ou resposta ao Apelo? Não sei, mas esse acontecimento me deu toda a Paz e certeza na continuidade do Projeto de mudança em minha vida; pra mim foi um presente do Pai Celestial e da Mãe Terrena aos quais agradeço sempre.

Nessa época eu nada sabia de xamanismo, mas a intuição, que é a Voz de Deus em meu coração, eu ouvia, e falava, e agia.

Depois, quando conheci a Tradição Xamânica e tive contato com a Sabedoria Ancestral é que vim a saber o que de fato era o Evento ao qual eu havia sido exposto naquele dia: tratava-se nada mais nada menos do que a famosa “Profecia da Roda do Arco-Íris do Cachorro do Sol”, contatada pelos Índios Navajos (norte-americanos), que segue:

“Quando o Tempo do Búfalo estiver para chegar, a terceira geração das crianças de olhos brancos deixará crescer os cabelos e começará a falar do Amor que trará a Cura para todos os Filhos da Terra.

Essas crianças buscarão novas maneiras de compreender a si próprias e aos outros. Usarão penas, colares de contas e pintarão os rostos.

Buscarão os anciãos da nossa Raça Vermelha para beber da fonte de sua Sabedoria.

Estas crianças de olhos brancos servirão como sinal de que nossos Ancestrais estão retornando em corpos brancos por fora, mas vermelhos por dentro. Elas aprenderão a caminhar novamente em equilíbrio na superfície da Mãe Terra, e saberão levar nossas idéias aos chefes brancos.

Estas crianças também terão de passar por provas, como acontecia antes, quando ainda eram Ancestrais Vermelhos...

A Roda do Arco-Íris surgirá sob a forma de um CACHORRO DO SOL para todos aqueles que estiverem prontos para vê-la...O Cachorro do Sol forma um Círculo de Arco-Íris apontando para as Quatro Direções. Esta será a LINGUAGEM QUE O CÉU USARÁ PARA NOS DIZER QUE JÁ CHEGOU O MOMENTO DE COMPARTILHAR OS ENSINAMENTOS SECRETOS E SAGRADOS ENTRE TODAS AS RAÇAS.

Muitos Filhos da Terra despertarão para assumir a responsabilidade dos ensinamentos, e o processo de Cura Planetária começará a tomar novo impulso” Aho!

Não só o “chamado inicial” do Arco-Íris Branco, mas agora o “despertar da responsabilidade” do Cachorro do Sol – tudo me dava a certeza, e o Caminho não tinha mais volta, era se render continuamente ao processo. Passei a me sentir ainda mais inteiramente abençoado por Deus.

Xamanismo e Caminho Espiritual são a mesma coisa, dependem de rendição total e não há como “servir a dois Senhores”; é entrar na Aliança de Luz e se aperfeiçoar sempre.

Outra Profecia vinha se realizando também em minha vida, e esta oriunda do próprio Messias, o Mestre Jesus, revelado aos Irmãos Índios Norte-Americanos, de várias Tribos, reunidos no Oeste dos Estados Unidos, como conta Dee Brown no seu famoso Livro “Enterrem Meu Coração na Curva do Rio” (Ed. Melhoramentos).

Segundo seu relato, em 1890, próximo ao Lago Pyramid, em Nevada, depois seguindo até o Lago Walker, o Mestre Jesus Cristo “apareceu” aos Entes Humanos, numa Grande Fogueira/Ritual e disse:


A DANÇA DOS FANTASMAS

“Chamei-os e estou feliz por vê-los! Todos os Índios devem dançar, em toda parte, ficar dançando. Daqui a pouco, na próxima Primavera, o Grande Espírito virá. Trará de volta toda a caça, de todas as formas. Haverá muita caça, em toda parte.

Todos os Índios mortos voltarão, e viverão de novo. Serão todos fortes, como jovens, serão jovens outra vez. O velho Índio cego verá novamente e será jovem, terá uma vida boa.

Quando o Grande Espírito vier desta forma, todos os Índios irão para as Montanhas, bem mais alto que os brancos. Os brancos não poderão ferir os Índios, então.

Enquanto os Índios estiverem no alto, virá uma grande enchente, uma água, e todos os brancos morrerão, afogando-se. Depois disso, a água irá embora, e só haverá Índios, por toda parte, e caça de todo jeito”.

“Então, o Xamã, que conduzia o Ritual, diz aos Índios para espalharem por todas as Tribos que eles devem ficar dançando e o bom tempo virá. Os Índios que não dançarem e que não acreditarem nesta palavra, crescerão pouco, só uns 30 centímetros de altura, e ficarão assim; alguns deles virarão madeira e serão queimados no fogo”! ( Xamã Wovoka e o Messias Paiute).


OBs:- A Tribo Paiute, no relato de Dee Brown, foi traduzida como “Comedores de Peixe”, o que me soou muito estranho, então, em minha opinião a palavra “Paiute” significa “Peiote” (que é uma Planta Sagrada, um cactus utilizado pelas Tribos do Oeste Americano e México, com a finalidade da “expansão da consciência” e para o vôo místico ou transcendental).


Essa Profecia ficou conhecida como a “Dança dos Fantasmas”, seguindo a orientação do Messias de dançar e dançar; ganhou “status” de religião e se alastrou pelas Tribos; o Governo Americano oprimiu seus seguidores, com medo de novas guerras. Na maior parte das Tribos, apenas idosos, mulheres e crianças participavam dos Rituais da Dança, pois os jovens e guerreiros, já haviam sido dizimados nos combates contra o Homem Branco. A finalidade da “Dança”, justamente, era atingir, mediante a exaustão e o som dos tambores, o transe místico e ter contato com a “realidade incomum”, com os seus Ancestrais Espirituais e com a Sabedoria (tudo que o uso do Peiote e da Ayahuasca promovem).

Acredito, ainda, que não eram todos os Rituais que havia a utilização da Medicina do Peiote, ficando vinculados às áreas citadas; nos demais, eram os tambores e a exaustão da dança que determinavam o transe místico.

Tive também a confirmação de que Profecias se realizam, ainda que a simbologia atemporal tenha que ser levada em conta, junto com a interpretação espiritual de seus conteúdos. Fato é que os atuais acontecimentos na Terra e na Galáxia demonstram os acertos de nossos Ancestrais (nas duas Profecias) e sustentam o ingresso desses Xamãs na linha da Eternidade, pelo vôo transcendental, garantindo-lhes a possibilidade da previsão do futuro, entre outros talentos e dons.

Bem, voltando um pouco, quanto ao nome CACHORRO DO SOL, nada achei sobre o assunto (até agora), nos livros, mas cheguei à conclusão de que nossos Ancestrais, ao se referirem ao Arco-Íris completo em volta do Sol, chamando-o de “Cachorro” estavam fazendo alusão aos valores de Amizade e Fidelidade entre o Sol e o Arco-Íris, assim como o cachorro está para o seu dono, assim também o Povo do Arco-Íris (os Guerreiros da Consciência Indígena e os Mestres da Grande Fraternidade Branca); TODOS em total Amizade e Fidelidade ao Pai Celestial.

Quando o Arco-Íris está completo círculo em torno do Sol é como se estivesse havendo um Grande Encontro de todas as Tribos e Hierarquias de Todos os Raios, uma Apoteose, o que torna o momento mágico e Sagrado para quem tem acesso e congraçamento, além das Bênçãos, Curas e Sabedoria que emanam da Luz Divina Espectral.

O que é conhecido como DISCO SOLAR; e que também está numa das mãos do Sr. Vishnu; e, do mesmo modo, o Mestre Jesus traz em coroamento àqueles que andam na Senda da Santidade; esse Disco é o próprio Cachorro do Sol, símbolo da Grande Fraternidade Branca e da Consciência Indígena, em suas múltiplas potências, mas Único em sua Essência Divina.

Há pouco tempo, já envolvido nos processos xamânicos que adentrei, quando reli o Livro “Enterrem Meu Coração...”, fiquei muito comovido com toda a tragédia dos Entes Humanos, nossos Irmãos Ancestrais, e de tal forma e força que não tive dúvidas quanto à minha vida anterior de Índio, naquele território Norte-Americano (tudo confirmado em vivências e jornadas espirituais adiante contadas).

A compreensão foi significativa, a partir do patamar em que eu me encontrava, já bem adiantado nos processos xamânicos. Até mesmo essa compreensão de que a aparição do Messias Jesus Cristo se deu aos Índios num Ritual de Peiote é exclusivamente minha, posto que a expansão da consciência (ou vôo místico) alavancada pelo Peiote e Ayahuasca, faz a comunicação e afloramento da clarividência e da clariaudiência chegarem a níveis tão sutis e extraordinários que o acesso a Divindades é muito facilitado e real.

Tive mais certeza ainda de que minhas mudanças faziam sentido e era parte de algo bem maior; eu já estava na Montanha Sagrada e já vivia como Índio e todas essas descobertas e revelações davam-me suporte e satisfação para continuar. Aho!