O Aborígene Mestre Chico

 

 

Terceiro Ritual


O entusiasmo pela satisfação que me deram os dois primeiros rituais, foi suficiente para me levar ao Terceiro Ritual com Ayahuasca. Pude sentir os benefícios em meu Ser, que aqueles rituais estavam me trazendo; havia em mim uma espécie de lapidação do Ser e essa sensação tinha sido provocada pelos rituais; portanto, decidi que deveria continuar. Conforme está relatado, minha vida estava em franca atividade, eu e a Namorada estávamos arrumando aqui e ali, no Sítio, os Filhos, os Cursos, os Estudos, Rituais, enfim, tudo acontecia em nossas vidas. A Ayahuasca estava ajudando na medida em que punha-me em meu centro, no alinhamento do Ser com os afazeres (e isso é a fórmula adequada, a sintonia do Eu com a circunstância). Rumamos, então, para o meu Terceiro Ritual, com a Fé inabalável em realizar o processo sem exigir ou querer alguma coisa (qualquer que fosse); isso era importante: ir para o Ritual só para agradecer e nunca para pedir.

Esse é um grande toque, a orientação necessária. Ir para agradecer! É mesmo um momento de oração, momento de Ser (simplesmente e humildemente). Não há espaço para egoísmo. Não há espaço para querência. Um Ritual com a Bebida Sagrada tem que ser um Ritual de Recebimento, do Sentir – não se pode pensar. Se vierem limpezas das contaminações, das intoxicações, que venham! Se vierem as curas de traumas, angústias, tristezas, frustrações, que venham! É o coração, é o sentir que importa.

Com essas orientações passadas, comungamos a Ayahuasca, no mesmo esquema organizacional dos anteriores. Do mesmo modo que iniciei os outros, esse Ritual, depois dos dois copinhos (50+50 ml), também começou com as mirações. Várias imagens se formavam em hologramas, geometrias, objetos, arabescos, e eu observava a tudo, ouvia as músicas e meditava em Paz; até que, num dado momento dentro das mirações, notei a presença de um ponto mais claro, no conjunto das imagens. Firmei meu olhar naquele “ponto” e ele veio se aproximando de mim; quando chegou próximo, vi que era tipo uma pequena janela ou abertura e a luz era amarelada, bem clara. Continuei firmando o olhar e a concentração naquele ponto e, de repente, atravessei para o outro lado e tudo mudou!

Foi um choque inicial, mas foi lindo! Havia um Sol e era um espaço de Luz. Uma areia muito branca e fina e eu me encontrava ali, numa praia mas ainda não avistava o Mar. Porém, a nova sensação, diferente das mirações, foi muito boa. Tudo se concentrava na testa como se eu estivesse vendo um filme ou sonhando acordado – é a chamada clarividência, toda conseqüência da expansão da Consciência, provocada pela Aya.

Na continuidade do Trabalho/Ritual, na mesma praia em que eu estava, apareceu um Senhor, aborígene, negro de cabelo e barba brancos, vestindo uma tanga branca, com um cajado reto e alto, e que passou a se comunicar comigo por telepatia, não havia a fala, mas sim, a comunicação. Perguntei-lhe o nome e ele me “falou” ser o Chico, o Mestre Chico; Xamã de Tribos Ancestrais, muito poderoso, em pouco tempo me passou diversas orientações sobre o “mundo astral”, sobre técnicas de cura, sobre a responsabilidade no uso dos poderes xamânicos e a hierarquia dos Mestres. A Corrente de Luz, de um Xamã ao Outro é um fato, e desde a Iniciação até a Realização de um Xamã, pronto para o “Trabalho” de Auxílio, muito aperfeiçoamento é necessário. Nem todos iniciados alcançam a maestria e, todos sem exceção, permanecem humildes no aprendizado constante, ligados na Corrente (Elos da Luz) – assim me disse ele. Com um “corpo” muito magro, Mestre Chico irradiava Luz e sua Simplicidade contrastava com sua Sabedoria (que era incisiva e clara). Em seqüência, Mestre Chico me chamou e fui com ele e com um movimento do seu cajado ele abriu a praia e nos colocou imediatamente nas profundezas do Mar. Em nós não havia água, mas , como se houvesse um enorme vidro divisório, do outro lado, era o fundo do Mar, com baleia, peixes, crustáceos, algas e Mestre Chico me mostrou as possibilidades, as habilidades e as diferenças nas quais os poderes xamânicos podem ser utilizados para recorrer e influir. O Mar profundo é uma aula da riqueza e mobilidade do Xamã. Uma aula maravilhosa, alegre também, posto que ele brincava com o nosso encontro e tinha prazer em me ensinar. Num instante, Mestre Chico me mostrou em sua mão três Pedras de Luz Prateadas, entregando-me essas Pedras orientou-me que elas poderiam ser sempre usadas para várias finalidades, pois as mesmas eram Pedras magnetizadas com Força Divina e com elas todo tipo de aberturas de caminhos, curas, bênçãos, enfim, inúmeras utilizações eram possíveis. Recebendo-as com gratidão, abri em minha coxa direita uma espécie de bolso e guardei-as comigo (notório que tudo foi feito no Plano Espiritual/Astral). A Luz que elas emitiam ainda são notadas embaixo de minha pele e sempre que necessito de sua Força, retiro-as com facilidade e resolvo as situações, sempre agradecendo ao Mestre Chico – Xamã de Luz! Selamos nesse encontro uma amizade sincera, de auxílio mútuo, já que de mim ele esperava um bom aprendiz e dele eu esperava os ensinamentos ancestrais da Cura e do auxílio ao próximo. Foi um Ritual espetacular, com a presença do Mestre Chico, a verdadeira Entidade Espiritual, em contato direto, simples, sem aparências esdrúxula ou rituais empompados. A comunicação perfeita, em contato imediato, sem intermediários.

Notável também, com a vinda do Mestre Chico, foi a evolução gradual do meu processo/aprendizado xamânico, iniciando com a Entidades do Primeiro Ritual, a Caixa Preta e, na seqüência, um Xamã Instrutor – muito legal. Indicou, esse Terceiro Ritual, que eu já estava em franco processo de aperfeiçoamento xamânico, progressivo e sem retorno (posto que eu estava muito satisfeito com os rituais e os benefícios advindos. Lembro-me que ao me entregar as Pedras de Luz, Mestre Chico despediu-se e sumiu assim como havia chegado, num brilho de Luz. Respirei fundo e retornei ao Templo, fui ao banheiro e retornei e já havia irmãos bailando; juntei-me a eles e, bailando, comemorei o Ritual. Sentia a presença de outras Entidades, Índios Xamãs de outras Tribos me cumprimentavam e me chamavam de Irmão – eu agradecia, abençoava e era abençoado. Ouvia muitas instruções e via vidas passadas, de relance.

Dancei até o dia clarear, como já era o meu costume, uma vez que a Ayahuasca me tira todo o sono, bem como para honrar todas aquelas Entidades e Guias que ali estavam, bem como para honrar a Fogueira Sagrada, que queimava no Templo e em meu coração.

Nos encontramos no café, eu e Namorada; Ritual forte também pra ela. Viemos pra Casa partilhando nossas vivências, em alegria desta vez e com explicações e “sacações” mais profundas e entendimento claro. A mediunidade de receber Mestre Chico foi a principal qualidade desenvolvida e sua importância seria sempre presente em todos os demais rituais. Os ensinamentos xamânicos, sagrados e ancestrais, ficam na memória da Alma e seu acesso é feito pela conexão espiritual – tudo que o Mestre Chico me havia passado, em poucas horas, encheria uma enorme biblioteca, porém, condensada na Alma, a quantidade vira qualidade e o acesso pelo Xamã é imediato, quando necessário. Deus o abençoe Mestre Chico! De fato o primeiro Xamã a me trazer as instruções e ensinamentos, e, mais adiante, vim a notar que ele abriu as portas para muitos outros Instrutores. Impressionante, também, que ele re-apareceu adiante, em outros Rituais como o conhecido São Francisco (Padrinho inicial com a Madrinha Sá Mariinha); no entanto, nessa nova ocasião/aparição, em postura de presença, proteção e silêncio, observando o Discípulo (eu); sei que são ambos o mesmo Espírito de Luz.

Gratidão Eterna!