Capitulo III

 

 

A MUDANÇA DOS SONHOS


Quando a vida da gente entra em processos fortes e naturais de mudanças, em especial quando marcadas (tais mudanças) pelo impulso de um evento tão grandioso como foi o Arco-Íris Branco, então nada contrário pode atrapalhar; como conseqüência, até mesmo nossos sonhos ficam diferentes.

Aqueles sonhos psicológicos, ligados ao dia-a-dia, ligados às influências da rotina, bem superficiais, encostados nas vontades, nos desejos, esses sonhos pouco significativos acabam cedendo espaço para os sonhos mais reais, com significados espirituais, aprofundados na vivência, interligados a outras esferas, comunicativas com outros planos; o Espírito deixa o corpo físico no descanso e sai para esferas mais sutis, em vivências astrais/espirituais.

Mesmo estando muito acostumado com mudanças em minha vida, a alteração dos sonhos psicológicos para sonhos vivenciais foi um sinal de alerta, de certa forma positivo, uma vez que os novos sonhos traziam experiências verdadeiras, traziam ensinamentos, significados poderosos e preparavam meu Espírito para melhor enfrentar as circunstâncias diárias.

Eu ainda estava casado, criando meus Filhos com responsabilidades bem pesadas pela Advocacia; estava na Casa da Cidade que tinha acabado de construir com muito esforço, até que numa determinada noite eu sonhei com o Grande Mosteiro dos Mestres; um lugar muito bonito, encravado numa Montanha, com muita água e florestas, e eu entrei num enorme salão onde havia uma grande mesa redonda sendo que ali se encontravam inúmeros Mestres da Nata da Humanidade, tais como filósofos, cientistas, políticos, artistas entre outros e todos reunidos para criarem novas forças para a evolução da Raça Humana.

Eu tive assento em conjunto com essas celebridades, e muito ouvi nada falei, mas fui portador de um “cristal decisivo”, ou melhor, tive a tarefa de buscar em meu mais profundo ser o verdadeiro tesouro da vida. Acolhendo prontamente a orientação dos Mestres daquele Mosteiro, mergulhei num poço de águas cristalinas que havia no local, e com um fôlego que não vi em mim em nenhum outro mergulho, cheguei ao fundo onde encontrei diversas pedras preciosas muito bonitas, lapidadas pelas águas. Peguei algumas pedras e subi para a superfície, quando, por surpresa, as pedras tinham-se fundido em um único Diamante.

Um dos Mestres chegou e me disse: “isso em sua mão é apenas uma pedra, o cristal mais precioso está dentro de você – é o seu Eu Divino!” Quando abri a minha mão, para novamente ver o Diamante, acordei.

Esse sonho, de fato, mexeu comigo. Tanto pela força e “realidade” dos acontecimentos, como pela exatidão do tema. É que, naquele momento da minha vida, tudo o que eu mais sentia falta era do meu verdadeiro “eu”. Há muito que o deixara de lado, preocupado com tantos afazeres e responsabilidades, cuidando dos outros e esquecendo de mim; portanto, aquele sonho disse tudo pra mim – buscar o Elo Perdido, o Eu Verdadeiro, o Eu Divino, o Eu superior.

Já havia estado com ele, em outras ocasiões, mas sempre a subsistência e o “sistema” da competição e consumo nos fazem escravos e prisioneiros de algo ou alguém que não somos nós mesmos, perdemos ou camuflamos quase totalmente nossa verdadeira essência e viramos mais um robô, vivendo “segundo o mundo” (como diria o Sr. Buda). Nessa situação nos perdemos e então somos mais para os outros.

A esse respeito lembrei-me de um Poema que eu havia escrito numa época bem anterior ao dia desse sonho, em que justamente colocava os versos de como as pessoas passam a viver para os outros, ou seja, uma engrenagem do “sistema”. Vai lá:


Primeiro você se acostuma

com o Estábulo,

como se os Campos

deixassem de ser a sua morada;

depois, você se acostuma

com o cabresto,

assentindo em ir onde querem que vá;

daqui uns tempos, você se acostuma

com o Baixeiro,

que cozinha seu costado

nos dias de Sol;

mais um pouco, e lhe jogam o Arreio,

e lhe botem as Rédeas

que tem o Freio que corta sua língua

e rasga sua boca.

É, agora está pronto!

Montam em você, que não tem

mais saco e continua

pelo resto da vida

SUBMISSO

a juntar vacas magras

para a fortuna dos Outros.

Nota. Poema “Submisso”, do Livro Parespegadas – Caly.



Tudo que aqueles Mestres da Montanha estavam querendo de mim é que eu me reencontrasse comigo mesmo, ainda que pudessem prever fortes guinadas, verdadeiras mudanças em minha vida, sabiam eles que o caminho da auto-realização começa e segue com a sintonia mais precisa possível do Eu Superior com as circunstâncias diárias (o sempre “conhece-te a ti próprio”).

A orientação que recebi no sonho era fundamental e justa, não pretendiam os Mestres a minha encrenca, mas algo em que sabiam era melhor pra mim e pra Todos.

O simbolismo, e os elementos constitutivos desse sonho estavam claros, tais como Mestres (que mais tarde vim a saber que eram os Mestres Ascencionados da Fraternidade Branca), Montanha, Água/Rio, Mergulho, Pedras (cristais) preciosas, enfim, a evidência das orientações foram facilmente entendidas e o rumo que tomei foi no sentido de me reencontrar.

Não quebrei o vaso, de imediato, mas aos poucos fui me buscando e chegando com equilíbrio em outros limites, onde a minha Essência estava latente, viva.

Ainda, a respeito desse sonho, é preciso registrar que, em tendo o acontecido do Arco-Íris Branco, aparecido como um “chamado xamânico”, já que a Divindade me interrompeu um processo de vida e me chamou/elegeu/acordou para outro processo ligado ao espiritual, a seqüência natural desse novo processo seria mesmo receber orientações de Mestres para o início do aprendizado das novas ações a serem tomadas.

Assim, esses dois eventos (Vishnu e Mestres) foram decisivos em minha vida; um foi para despertar, o outro foi para batizar e aprimorar. O resultado foi ótimo, como veremos adiante.