Capitulo II

 

 

O ARCO-ÍRIS BRANCO


O grande fato que marcou e virou minha vida foi a aparição do maravilhoso Arco-Íris Branco, ocorrido quando fomos passar férias eu, minha primeira esposa, meus filhos Ary e Léo, a sogra e uma tia, na Fazenda Catioca, Município de Cunha-SP.

É o típico fato xamânico conhecido como “chamado”, que me ocorreu naquele dia, sendo reconhecido por mim como o início de toda transformação em minha vida.

Eu já estava com uns quinze anos de Advocacia, e o mesmo tempo de casamento (que não ia muito bem). Trabalhava na Prefeitura de Lagoinha-SP. e o Prefeito me pediu um serviço importante naqueles dias. Combinei, então, com a família que iria levá-los nas férias na aludida Fazenda, mas teria que num determinado dia ir para Lagoinha trabalhar – e foi o que fizemos.

Passados dois dias juntos na Catioca, eu, o Ary e o Léo tomamos uma chuva de verão deliciosa, e ficamos encharcados, mas com a Alma leve e alegres pela bagunça. No terceiro dia, acordei bem cedo, umas cinco horas, tomei um bom banho, barba, terno, café e rumei de Fusca, numa Estrada de terra que ia da Catioca para Lagoinha (como tinham me informado os amigos e os caboclos do local).

Saí cedo e depois de alguns minutos de estrada, aconteceu o fenômeno – um maravilhoso Arco-Íris Branco se formou numa paisagem rural de colinas e riacho; local bonito de pastagem, mas com muitas árvores.

O Arco-Íris era impressionante e parei o carro imediatamente ao avistar a cena; desci e observei atentamente aquela aparição, quando notei que, mesmo sendo Branco, em seu interior milhares de purpurinas faiscavam coloridas em flutuante delicadeza; o Arco-Íris deveria estar a uns trezentos metros de altura da minha cabeça (em seu eixo mais elevado); talvez contasse com uns oitocentos metros de uma extremidade à outra (eu podia vê-las).

Fiquei paralisado e muito emocionado ao ver aquele fenômeno original e inusitado; foi o fato mais maravilhoso, até então, ocorrido em minha vida. Quando observei melhor a cena, após o susto inicial, pude ver a figura encantadora de Vishnu, bem no centro do eixo do Arco-Íris, sorrindo, dançando com seus Quatro Braços. Então, a situação encheu-me de um caráter sagrado e de graça – um Milagre em andamento!

Nota. Texto Védico: Vishnu é um só, e, todavia, Ele com certeza é onipenetrante; através de Sua potência inconcebível, apesar de Sua única forma, Ele está presente em toda parte, assim como o Sol aparece em muitos lugares ao mesmo tempo”. “O Yogi que pratica a meditação na Superalma vê dentro de si a porção plenária de Krishna como Vishnu – com quatro mãos, segurando o búzio, o disco, a maçã e a flor de lótus. O Yogi deve saber que Vishnu não é diferente de Krishna. Krishna, nesta forma de Superalma, está situado no coração de todos”. Swami Prabhupáda.

Notei que o Arco-Íris era redondo e não chapado (era tipo um tubo enorme – ou uma guirlanda), e dentro continuavam a brilhar as purpurinas. Vishnu, que é a expansão plenária de Krishna, diante dos meus olhos, abençoou-me com Sua presença magnífica; entrei em êxtase, comoção e pranto de felicidade ao sentir e ver tudo aquilo.

Iniciei todo tipo de rezas e orações de agradecimento; outras imagens, em especial a do Sr. São Francisco (que atuou como um Padrinho) e outra Santa (não conhecida) também se formaram, em acompanhamento do Mestre Vishnu, até que, em três ou quatro minutos no máximo, o Arco-Íris sumiu e me deixou ali, extasiado e em muito pranto. Sem dúvida a Eterna Aliança estava garimpando mais um Elo da Luz – eu estava sendo chamado!

Fui me acalmando e tudo foi voltando ao normal (se é que houvesse ali alguma anormalidade); voltei pra dentro do Fusca e segui até Lagoinha. Pensava e relembrava daquele momento mágico e exclusivo. Como era diferente de tudo que eu havia vivido. Nunca houvera fato tão maravilhoso e marcante (no que tange não só aos olhos, mas à alma).

Nunca tinha ouvido falar da ocorrência de um Arco-Íris Branco ou algo parecido. Pensei no prisma, que é um cristal que ao receber luz emite, do outro lado, o espectro das Sete Cores (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta); no entanto, pra mim, foi o inverso do prisma.

O racional ali, nada poderia fazer, somente o sentimento era o senhor, o dono do momento. Sempre tinha ouvido dizerem que “quando o discípulo está pronto o Mestre aparece”; naquela ocasião, não me sentia eu tão pronto para um encontro Sagrado como este relatado.

Há muito tempo antes deste fato eu tinha lido o Bhagavad Gita, com a sabedoria milenar de Krishna, Havia sim, em mim, a força que esses ensinamentos do Gita me infiltraram; conduzi minha vida, minhas ações, meus pensamentos sob a égide dessa Sabedoria.

Meu Livro de Poesias, o “Respiração”, contém muito da influência do Gita. Alguns dos meus mais próximos amigos também eram adeptos desses ensinamentos. Assim, melhor analisando, até achei possível ser abençoado com a presença de Vishnu, o Senhor Supremo, em sua expansão plenária, ou seja, quando Krishna aparece com quatro mãos e abençoa a todos os corações, em plenitude.

A relação xamânica a que me aludi, inicialmente, é que a aparição da Divindade é um forte “chamado”, para a pessoa seguir o caminho da auto-cura e depois o caminho do auxílio aos necessitados. Estudando o xamanismo, há pouco tempo (posto que na época eu nada sabia de xamanismo), pude observar diversos relatos de xamãs que tiveram seu “chamado” por visões de Espíritos e Divindades.

O “chamado” ocorre de forma inesperada, por eventos, visões, doenças, aparições, entre outros; ele também é um dos meios da pessoa entender que tem que percorrer o caminho do xamanismo; os outros meios são por hereditariedade de pai pra filho, ou por escolha vocacional, mas o Mérito Qualitativo é Essencial sempre. Foi um momento em que o Pai Celestial, Mestre Supremo e Eterno Mentor, derramou suas Bênçãos e me convidou ao Retorno ao Lar, como se tivesse “baixado” todo o Arquivo da Sabedoria, que eu iria aos poucos abrindo e saboreando.

Hoje em dia, sei a potência desse encontro Sagrado com Vishnu e o Arco-Íris Branco, e as transformações que causou em minha vida – mudanças pra melhor, muito melhor! Hare Krishna, hare Krishna, Krishna, Krishna, hare, hare; hare Rama, hare Rama, Rama, Rama, hare, hare.

Além do mais, a aparição do Vishnu foi reveladora na confirmação de uma vida anterior que eu tive na Índia (que me apareceu em sonho adiante relatado), onde, em serviço devocional, eu tinha em Krishna/Vishnu a total expressão da minha Fé e Amor Divinos.

Nesses momentos únicos em nossas vidas, a aceitação do Encontro Divino é tudo; há muito eu já conversava com Deus, nas qualidades divinas que o Krishna me contara, através do Gita, nas lições do Sidarta, o Senhor Buda e no amor de Cristo dentro de mim.

A principal característica de um xamã é exatamente esta: ter concretamente o contato com a Divindade e os Espíritos. Eu já vinha experimentando casos místicos, intuições verdadeiras, recepções conclusivas; mas aquele momento com o Vishnu e as Santidades foi especial e abriu-me as fronteiras, ainda que eu não tenha “pirado” ou abandonado tudo de imediato.

Assimilei com calma a situação, deixei o rio correr tranqüilo; estava com meus filhos lindos ainda novos, crianças com toda vida pela frente; eu precisava cuidar deles e guardar em meu coração aquela vivência espetacular.

O mérito qualitativo daquele encontro com Vishnu ninguém poderia tirar de mim e, ao mesmo tempo, só Ele pôde me dar, tanto que comentei o fato com poucas pessoas; não era um fenômeno normal, então poderiam ter-me como louco, pirado; eu estava em pleno vapor na profissão de Advogado e não queria boatos de que tinha enlouquecido ao ver um “Arco-Íris”; a maldade alheia está mais próxima do que pensamos e toda cautela com um fato tão lindo e marcante era o melhor caminho.

Além do momento magnífico, de Graça e Luz, o que foi mais precioso naquela visão é que o assentamento da minha Fé foi instantâneo; já era uma Fé inabalável com o Sagrado, mas a Força e a Grandiosidade alcançadas naquele momento foram impressionantes em minha Alma, preencheu as poucas lacunas e me completou com muita Luz – ainda enxergo tudo perfeitamente, dentro de mim. Nunca mais pude retroceder – aquelas lágrimas aguaram e adubaram um Ser que, guardado, queria desabrochar, crescer, florir, frutificar – como, de fato, ocorreu!



SENHORA “SÁ MARIINHA DAS TRÊS PONTES”

Nesta passagem é necessário fazer este adendo, sincronicamente aflorado como segue, por Justiça à Senhora Sá Mariinha das Três Pontes. Considerada “Santa”, por salvar muita gente, através da Cura, da Clarividência, Clariaudiência, receitando remédios da Floresta, benzeduras e orações. Nasceu por volta de 1880 e faleceu em 1959 (tendo seu túmulo no Cemitério de Cunha-SP).

Contam os historiadores que quando Ela era criança, atendida pelo Curandeiro Dito Juquita, foi curada dos olhos que sangravam, após enxágüe diário na mina (bica) próximo de sua Casa. Após um tempo, ainda jovem, teve um mal súbito e foi dada como morta, mas por orientação do mesmo Curandeiro, não foi enterrada, tendo voltado à vida três dias depois.

Contam que Ela teve a visão da Virgem Maria desabrochando de si própria e sua clarividência foi aberta totalmente, passando a fazer curas, benzeduras e orações a toda gente que a procurava em aflição e dor.

No local de sua Casa, na fonte (bica), a água, a Santa continua fazendo curas e Sá Mariinha traz bênçãos e milagres aos devotos. No local há um centro de Fé que recebe romarias e devotos de todo lugar.

Rendo aqui, e ainda em tempo, toda minha gratidão e devoção à Senhora/Sinhá/Sá Mariinha das Três Pontes, Catioca, Cunha-SP, pela interseção por mim operada junto ao Grande Pai Celestial, o Sr. Vishnu, sendo a minha Madrinha junto com São Francisco, o Padrinho (o qual eu já era devoto por influência de minha Mãe Nilza, que me transferiu essa devoção e desde quando eu vi o Filme “Irmão Sol e Irmã Lua”; o mesmo Caminho que São Francisco trilhou eu agora venho trilhando, em renúncias, desapegos, purificações, mudanças, humildade, etc).

É que justamente quando eu já estava digitando este Capítulo do Arco-Íris Branco, toda resposta e o enredo me foi revelado, quando em recente viagem que fiz à Cunha, na volta, tive a grata satisfação de no ônibus assentar-me ao lado do meu Compadre Adilson, da Fazenda Catioca. Aproveitei a ocasião para pedir-lhe licença de usar o nome da Fazenda no Livro, onde eu relato os acontecimentos da “visão” maravilhosa do Arco-Íris Branco.

Relatei-lhe rapidamente tudo que ocorreu e ele, sem susto ou espanto, disse achar até natural o “milagre” ou “chamado” comigo ocorrido, informando-me a circunstância de que eu estivera defronte da Casa de Sá Mariinha, indo pra Lagoinha naquela Estrada. A grande Curandeira que alí residiu, até hoje atraí devotos em romarias, com relatos de curas e milagres.

Essa informação, que me era oculta, passada somente agora pelo Compadre Adilson, encheu-me de alegria e compreensão, mais apurada ainda, de como a Senda Espiritual é fantástica e verdadeira, delineando veredas inusitadas. De fato eu não tinha entendido, até então, o porquê de ter recebido o “chamado” de Vishnu naqueles confins do sertão da Catioca/Três Pontes.

Isso era pra mim uma peça do quebra-cabeça não revelada; no entanto, eu mesmo não fazia muita força para entender, já que os benefícios que me sobrevieram tinham maior potência e espiritualidade do que encontrar a “razão” de ter ocorrido naquele local (“cavalo dado não se olha o dente” – dito popular).

Assim, foi com grande satisfação saber que, dando suporte e “canalização” àquele milagre do Arco-Íris por mim vivenciado, com o Sr. Vishnu, o Sr. São Francisco estava a Sá Mariinha, intercessora e ancoradoura da Luz Divina, na função integral de Xamã.

A certeza que Sá Mariinha me deu, naquele momento e local, de que a Eterna Aliança Divina não tem fronteiras, uma vez que Ela canalizou as Bênçãos de Vishnu, uma imagem do Pai Celestial visualizada na Índia, veio aparecer em pleno sertão de Cunha/SP. A Unicidade da Luz Divina é como um raio do Sol e ilumina a todos, em Igualdade.

Abençoada seja Senhora Sá Mariinha das Três Pontes, irmanada na Luz da Nova e Eterna Aliança, com o Pai Celestial, a Mãe Terrena, e toda a falange da Grande Fraternidade Branca, da Consciência Indígena, da Casa Africana, da Casa Espírita, da Pirâmide Egípcia, entre outras.