“Orai e Vigiai, Sempre”

 

Peço total atenção aos Irmãos e Irmãs que buscam o Caminho Espiritual, que é maravilhoso e libertário, mas que pode levar a dificuldades e regressão, se não bem orientado. Falo, especialmente agora, quanto aos “falsos profetas”, aos “falsos instrutores” e “xamãs de asfalto” que pipocam aqui e ali, abrindo “templos”, “pontos de luz”, “céus” e “pontos terapêuticos” (ou seja lá o nome dado), em todo lugar, utilizando-se da Bebida Sagrada Ayahuasca (Daime), utilizando-se de Conhecimentos Ancestrais, ou mesmo de diversos outros “produtos” da Mãe Natureza (vegetais, animais, etc).

O Caminho Espiritual é de responsabilidade e de liberdade, conhecimento sobre a Verdade Absoluta e seus Patamares de Evolução; somente com paciência, perseverança, determinação e outras qualidades é que levam à evolução do objetivo – não existem mágicas ou magos(as) que possam abreviar, bruscamente, o processo como um todo. A Honestidade do caráter é o passo inicial.

A venda e o consumo da Força da Natureza, sem o devido preparo e respeito, em escala de repetição e descarte, são equivocados, perda de tempo e perigoso, quando ausente a honesta orientação de um autêntico Instrutor/Xamã.

A preocupação atual é que está evidente o aparecimento de muitos “lobos e lobas em peles de cordeiros”, que estão arregimentando pessoas inocentes e propensas a conhecerem o Caminho Espiritual, estão realizando rituais de toda espécie em fundos de quintal e favelas rurais, sem a menor ética, invejosos que são, falam o que não cumprem, totalmente voltados ao comércio, em nada preocupados com a evolução, bem como desorientando gravemente aqueles inocentes que caem nas suas armadilhas. As forças espirituais atuam para o Bem/Luz ou para o Mal/Trevas, e se a pessoa segue alguém falso, fraco e não preparado, a consequência é maléfica (servir a dois senhores não é possível).

Falo desses falsos instrutores e falsos xamãs que, por terem entrado para o Caminho da Ayahuasca, ou por terem feito algum curso teórico de xamanismo, ou ambos, logo se arvoram a se dizerem ser isso ou aquilo, ganham um pouco de percepção extra e sobem num salto alto do orgulho e da vaidade; e dizem querer salvar o Mundo como “divindades”, mesmo sem elas/eles próprios terem feito seu processo completo e bem sedimentado. Ficam sempre na zona de conforto, pois sabem que adiante, na Luz e no Fogo Divinos, é difícil alcançar, já que a lapidação do ser e a disciplina da conduta regulam e inibem seus desejos e caprichos. Mas acabam, eles e elas, abrindo seus “pontos” e traçam um roteiro de equívocos e iniquidades, pois apenas dividem o medo que sentem da vida com os inocentes que lhes procuram – é lamentável!

São seres que, por galgarem alguma instrução, e até certa experiência no Caminho, se intitulam xamãs, gurus e se apegam a isso de uma forma cega, ilusória, sem perceber que um dos últimos degraus a ser ultrapassado e vencido na linda Senda Espiritual, é justamente o degrau do orgulho. Se nesse degrau o “mestre”, a “guru” for reprovado, por ser arrogante/orgulhosa, a queda é forte, a queda é devastadora, causadora de sofrimento, ou seja, subverte o propósito do xamanismo que é Cura e Benção.

O xamã ou a xamã orgulhosa quer palcos e servos, sempre focaliza suas falas no medo para, com isso, manter seus adeptos no cabresto, presos na doença, para que ele/ela possa “cuidar” e não “curar” (acabam se enriquecendo com esse “jogo”).

Andam sempre no famoso “enredamento material” e querem a posição de instrutores espirituais – isso não ocorre, pois são dois caminhos antagônicos, divergentes.

Buscam estar aqui e ali nos palcos da aparência, numa roda e noutra, mas nunca encontram o ser da realização.

Repetem sempre a mesma tática/situação: primeiro salvam, depois cobram o preço; erram, depois justificam. Sempre craques nas armadilhas, com a simpatia, o fiado, o elogio, a piscada, o acolhimento; depois vem a exigência, a cobrança, a arrogância, em decepcionantes atitudes de domínio, poder, prepotência, etc. Não passam de “patronitos” e “madamitchas” holísticos; suas negligências, em relação ao Caminho Sagrado dos Valores e Qualidades Divinos são aflorados a todo instante.

Notem que só meditam quando estão no palco do templo, só fazem caridade quando tem alguém pra olhar; confundem missão espiritual com relações sociais e estilo de vida, muitas vezes em troca por algo ou por bênçãos dos Céus (que não param de pedir). Agradecer para elas/eles é um gesto raro!

A Qualidade tem que prevalecer meus Conluzentes Irmãs e Irmãos; atentem para o que está ocorrendo – o Caminho Espiritual é de Mérito Qualitativo; separem o joio do trigo (em consciência e em circunstância); observem o exemplo dos autênticos Xamãs; cuidem da humildade e do respeito perante a Lei Sagrada Universal do Caminho – ela sempre evolui e ensina!

Por isso essa advertência, porque muitas estrelas aparecem por aí, brilham aqui e acolá, mas logo desaparecem, pois são estrelas decadentes, não completaram ou aperfeiçoaram seus processos, seus caminhos, e, logo, vão em busca de poder, de sucesso pessoal, de oba-oba social, do comércio das bênçãos, em desvairada e irresponsável “missão”. Estando no cativeiro, no enredo e na dependência dos outros é difícil saber como podem auxiliar na libertação dos novatos aprendizes. Estrelas que fazem ferozes disputas com seus colegas, na posição de vítimas ou vingadoras, falando mal uns dos outros, com fofocas, calúnias e difamações, sempre pisando a fim de angariar mais lucro e adeptos; desconhecem a essência do Perdão e da Liberdade.

Nesses casos, quando se apegam muito ao orgulho, são tidas como traidoras e canalhas, e sua regressão no Caminho Espiritual é certa, e sua Libertação e Paz Divina do Ser ficam adiadas, para as próximas reencarnações; portanto, atrasa muito a Evolução de todos, e é grave. Entrar na “barca” de uma dessas estrelas, lobas ou lobos, equivocadas/disfarçadas é bem arriscado, pois arrastam muitos em seus naufrágios.

Saibam, meus queridos Conluzentes, o melhor brilho da Luz é aquele que vive na Eternidade do Firmamento. Fiquem atentos! Aho! IrêTacata! Luzemti!

Gtá, mai/2013.

________________________ Nhô Caly Varajão.